A
Mandrágora.
Maçã de Satanás
Um
conselho prévio: tenha no seu canteiro uma Mandrágora, deixe-a
crescer mas não a arranque nunca.
Planta de tubérculo da família das solanáceas, possui uma raiz
cuja forma faz lembrar a de um corpo humano. Desde a antiguidade,
crê-se que este estranho vegetal nascia do esperma dos
enforcados e que era dotado de inteligência humana. Possuir uma
Mandrágora é abrigar em casa um pequeno génio que garante saúde,
riqueza e o dom de conhecer o futuro. Para obtê-la, é necessário
ter tapado bem os ouvidos: o grito que a Mandrágora solta ao ser
arrancada da terra é enlouquecedor! Após uma série de preparos
complicados o pequeno diabrete adquire vida e garante ao seu
dono, e respectivos descendentes, uma sorte maravilhosa. As Mandrágoras
são muito difíceis de encontrar. Na Serra de Monchique, nas
encostas viradas a Norte, encontram-se alguns exemplares magníficos.
A Mandrágora é objecto de imensas superstições estranhas;
nativa da Europa Meridional, cresce facilmente em qualquer jardim
desde que não seja exposta a invernos severos.
O nome Mandrágora deriva do grego nocivo ao gado. Os árabes
chamam-lhe a maçã de Satanás.
De grande raiz castanha, um pouco parecida com um corpo humano,
dividida em dois ou às vezes três pernas. Da coroa da raiz
surgem várias folhas grandes, verde-escuro que quando crescidas
atingem o tamanho de 40 a 60 centímetros de largura. De entre
estas folhas rebentam as flores, cada uma em um pé-talo separado.
Em volta frutifica uma espécie de maçã pequena, de cor amarela
quando madura, cheia de polpa e com um forte odor a maçã.
As folhas são bastante refrescantes e usadas para unguentos e
outra aplicação externas. Fervidas em leite são usadas como
cataplasma, bastante empregados como uma aplicação para úlceras.
A raiz fresca opera muito poderosamente como um emético e
purgativo. Seca é usada como um emético áspero.
A Mandrágora foi ainda muito usada como soporífero. É dito que
causa delírios e loucura quando consumida em grandes doses.
Usada em casos de dor continuada, melancolia, convulsões, dores
reumáticas e tumores. Usada no passado como um anestético em
operações, um pedaço da raiz era dada ao paciente para
mastigar antes da operação.
Para os curandeiros a Mandrágora é dotada de poderes
misteriosos contra a possessão demoníaca. Veja-se esta prescrição
de um livro de bruxaria:
"Para a náusea de diabo ou possessão demoníaca beber em
água morna um pouco da raiz seca e logo estará curado".
O mesmo livro diz ainda que, quando desarraigando, o cavador têm
que se precaver de ventos contrários, e que só deve cavá-la ao
pôr-do-sol.
Finalmente, crê-se que se o marfim for fervido durante seis
horas com um pouco de raiz de Mandrágora, este ficará tão
suave que poderá dar-lhe facilmente a forma que desejar. Tão
facilmente como trabalhar o barro.
Tem ainda a virtude de expelir demónios das pessoas doentes,
porque os demónios não podem aguentar o seu cheiro ou a sua
presença.

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